Nov 5, 2009

Canadense aconselha MS a adotar redução de danos para o crack.


Bom, parece que o governo brasileiro está conversando com as pessoas certas. Benedikt Fischer, PhD em criminologia e membro da Comissão de Saúde Mental do Canadá, esteve no Brasil, conversando com Pedro Gabriel Delgado (coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde) sobre o problema do crack e possíveis soluções.

Soluções caracterizadas como "radicais" pelo jornal O Estado de S. Paulo, na notícia que pode ser lida abaixo, são na verdade, medidas de redução de danos, muitas já implementadas há anos no Canadá e que realmente podem salvar vidas.

Medidas essenciais para ajudar a solucionar um problema grave, que atinge populações muito vulneráveis (jovens e moradores de rua), as estratégias de redução de danos, precisam ser seriamente consideradas no caso do crack, pois ajudam principalmente, mas não somente, nos casos mais graves e quando o usuário ainda não consegue se abster ou se engajar completamente em tratamentos de reabilitação.


Felizmente parece que o governo está interessado em aprender o que há de mais inovador na área de cuidados com usuários de drogas e não somente repetir a implementação de velhas e ultrapassadas fórmulas de reabilitação (pelos 12 passos) e longas internações (em comunidades terapêuticas), que por anos monopolizaram a área de tratamento de drogas no Brasil. Se depender da pressão da mídia, opinião pública e de alguns especialistas conservadores, que continuam insistindo que o governo deve investir prioritariamente em leitos para internação, essas ideias do canadense não devem ir muito longe no Brasil.

Leia mais sobre redução de danos no Canadá em aqui.

Médico defende soluções radicais contra dependentes de crack

São Paulo - O diagnóstico do médico canadense Benedikt Fischer, da Simon Fraser University, em Vancouver, que há 15 anos faz pesquisas com viciados em drogas, não é dos mais animadores. “Não existe outro país que tenha uma situação tão extrema como o Brasil com crianças usando crack.”

Membro da Comissão de Saúde Mental do Canadá, ele esteve no mês passado no País discutindo com o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Delgado, futuras parcerias. O que mais o impressionou na visita foi ver tantas crianças pobres viciadas.

Fischer acredita que as autoridades têm de “explorar soluções radicais”. Entre elas está o uso de maconha no tratamento. “Os viciados em crack são muito agressivos. Pesquisas mostram que os que usam Cannabis ficam menos agressivos.” Ele também defende um programa que discute com o governo canadense: a criação de lugares seguros para que os viciados usem crack. “Lá eles poderão ter apoio médico e social. E depois serem encaminhados para desintoxicação.”

Outro programa proposto por Fischer e que já começou a ser executado no Canadá é a distribuição de kits para que os viciados façam cachimbos. Drogados que usam o mesmo cachimbo podem transmitir hepatite C por meio das feridas que se formam nos lábios. “Viciados são doentes. Colocá-los na cadeia só piora o problema.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Abril

Nov 4, 2009

Lula: "Não há tema proibido"

www.marisafelicissimo.net

"Está ficando claro que, do jeito que nós estamos tratando as drogas, até agora, não está resolvendo o problema", diz Lula em discurso a profissionais e acadêmicos da área de saúde, ontem, no Recife.

Em sua fala, Lula enfatizou a necessidade de encontrarmos soluções próprias e criticou as bases na Colômbia, como política de combate às drogas implementada pelos EUA.

"Fica fácil para um país rico dizer que está combatendo as drogas e manda colocar bases na Colômbia (...) eu falei com o presidente Obama, (...) que nós é que temos que cuidar da questão do tráfico de drogas no nosso continente. E aí os países ricos poderão cuidar dos seus viciados internos e aí resolverá o problema. Se não tiver viciado não tem mercado para vender. É preciso cuidar..."

Lula chega até a pedir que o tema seja discutido, de forma aprofundada, pelos profissionais em um outro congresso dedicado a este assunto.

Em momento anterior do discurso, Lula enfatiza que, para ele, não há tema proibido.

"Eu sou daquela tese de que não tem tema proibido. (...) Não há no mundo uma moeda com um único lado, é preciso construir os dois lados"."Eu sou um homem do diálogo e precisamos construir"

Então, presidente Lula, vamos discutir o crack e o combate ao tráfico, mas também descriminalização, legalização, mudanças nas leis, estratégias inovadoras de redução de danos, terapias de substituição, salas de consumo seguro e tantos outros assuntos que encontramos tanta resistência no debate com a sociedade e governo.

Esperamos que este discurso se reflita em ações concretas, que promovam a abertura do debate franco, sobre drogas, no Brasil.

Ouça o discurso completo de Lula no Congresso de Saúde Coletiva, em Olinda, Pernambuco. A partir do minuto 33 ele fala sobre crack e a política de drogas.




House of Cards - Any resemblance to reality is NOT pure coincidence.

Underwood's speech in House of Cards shows astonishing resemblance to Bush's address to the Congress in 2001 when the War on Terror...