Simon Jenkins jornalista do The Gardian, The Sunday Times e BBC escreveu uma crítica no The Guardian que está dando o que falar. O artigo intitulado "A guerra às drogas é uma idiotice imoral. Nós precisamos da coragem da Argentina" foi publicado no dia 3 de setembro e já recebeu mais de 600 comentários online.

A edição de domingo (6) do The Observer também trouxe 4 textos de interesse, incluindo um escrito por FHC. O The Observer é o único jornal britânico publicado em cores no domingo e tem um número de leitores estimado em 1.374.000.



As opiniões de FHC à frente da recém criada Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia têm sido bem recebidas por ativistas pró-reforma na Europa. Mudanças nas leis de drogas no México e na Argentina têm sido usados como exemplos a serem seguidos, atos de coragem que os países desenvolvidos e com reconhecidos ideais de liberdade civil, já deveriam há tempos ter instituído.

O discurso de FHC já é bem conhecido dos nossos leitores e já mereceu destaque aqui por diversas vezes.

Desta vez o destaque vai para a opinião da brasileira Maria Lucia Karam, juíza aposentada e membro do grupo Law Enforcement Against Prohibition, que falou ao The Guardian:

"A única maneira de reduzir a violência no México, Brasil ou em qualquer outro lugar é legalizar a produção, distribuição e consumo de todas as drogas". A onda de violência associada com todo o comércio ilegal não vai diminuir licenciando apenas o consumo. A montanha que deve ser escalado é o licenciamento, regulamentação e tributação do abastecimento/produção, acabando assim com a proibição (das drogas) agora, superando em absurdo e danos a lei seca nos EUA.

O jornalista Simon Jenkins mostra-se indignado pela política de guerra às drogas e dá exemplos concretos de como o assunto vem sendo negligenciado pelos governos e pela ONU. O texto merece ser lido na íntegra, no original em inglês, mas não podia deixar de traduzir e destacar alguns trechos interessantes:

"O conceito subjacente à Guerra às Drogas, iniciada por Richard Nixon em 1970, é de que a demanda pode ser controlada pela eliminação da oferta (produção). "

"O conceito de que produção/oferta gera demanda é uma idiotice intelectual - de impossibilidade prática. Mas é a política de ouro. Por 30 anos permitiu que os políticos ocidentais transferissem a culpa, por não regulamentar o abuso de drogas em casa, para os ombros dos países pobres no exterior. É gloriosamente e absurdamente imoral."

"As mudanças na América Latina são dirigidas a usuários de drogas domésticos, mas isso é apenas metade da batalha. Não há justificativa racional para tornar o consumo legal, mas não o suprimento do que é consumido. Não curamos o vício em nicotina banindo as culturas de tabaco no Zimbábue."

O jornalista segue criticando a idiotice das políticas da ONU no Afeganistão e a recente interpretação como "boas notícias" da queda da produção de papoula. Ele chega a chamar o diretor da UNODC Antônio Maria Costa de economicamente analfabeto, ao tratar a questão do ópio no Afeganistão como a causa da dependência de heroína. "Enquanto houver demanda, haverá oferta. A água não corre montanha acima, mas muitos burocratas mundiais pagam uns aos outros para fingir o contrário."

Os artigos do The Observer falando do FHC podem ser lidos no mapinc.

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