Em um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco, dos 600 jovens entrevistados, 81% são contra a liberação da maconha. Segundo a reportagem exibida no Jornal Hoje, no último dia 15, os jovens estão "mais conservadores e preocupados com o futuro". A mesma pesquisa verificou que 76% destes jovens são também contra o aborto.

A reportagem ainda destaca que os especialistas concluíram, com esta pesquisa, que "o acesso ao conhecimento e à educação faz com que os jovens desenvolvam senso crítico e responsabilidade." E terminam com a brilhante frase: "Nesse caso, o conservadorismo pode ter efeitos positivos."

É realmente impressionante como uma reportagem sobre uma pesquisa com uma amostra tão pequena e tão pouco diversificada pode fazer tamanha generalização. Precisamos verificar o exato conteúdo desta pesquisa e como as perguntas foram formuladas.

Uma coisa sabemos, pelo menos nos EUA, as respostas são bastante diferentes dependendo da forma como a pergunta é formulada. No caso da "liberação da maconha" a resposta da maioria é sempre negativa, mas quando questionado se a maconha deveria ser regulamentada e taxada como o tabaco, muito mais pessoas concordam. Essa palavra "liberação" na minha opinião, se foi realmente a utilizada na pesquisa, já é um viés proibicionista dos pesquisadores.

Da mesma forma para o aborto. Ninguém é a favor do aborto, ninguém propõe a sua liberação e estímulo à sua prática. Mas com certeza a existência de formas legais de realizá-lo reduziria imensamente o número de mortes e mutilações de mulheres que já o praticam e continuarão a praticar, mesmo sendo ilegal.

Agora, afirmar que jovens que pensam assim são "a grande esperança do nosso país” é um equívoco lastimável.

Mais informações e críticas sobre a pesquisa no site da Psicotropicus.

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