Em entrevista publicada no Blog Observatório da Cannabis, em 23 de abril o Prof da Universidade Federal da Bahia e Doutor em Antropologia Social, Edward MacRae, fala de temas relacionados à proibição das drogas no Brasil e critica a lei atual.

"Sobre a lei atual, considero muito bem vinda, já que faz uma distinção entre usuários e traficantes. Mas, por outro lado, essa também é uma forma de separar membros da classe média, reconhecidos como os usuários, mais capazes de fazer protestos, reivindicar os seus direitos, que seriam muito mais difíceis de criminalizar atualmente, daqueles que seriam os supostos traficantes, oriundos da camadas mais pobres da população, das periferias, sem muitas opções de inserção social, e que por isso se engajariam no tráfico."

"Hoje em dia, temos uma sociedade capitalista, neoliberal, extremamente excludente, que expulsa cada vez mais pessoas do sistema, que têm que viver à margem e que são vistas como uma ameaça pela sociedade. Então, nessa lógica, teríamos que ter alguma forma de controlar esses “novos bárbaros” e nada como uma lei bastante genérica contra traficantes para fazer isso. Assim, todas as pessoas que são dessa parte excluída da sociedade são automaticamente consideradas traficantes, ou relacionadas ao tráfico, taxada como “daquele mundo”. Dessa forma, todos eles podem ser enquadrados nessa categoria e quando há ações violentas de repressão em favelas e bairros pobres, que matam pessoas, violam direitos humanos, etc, são consideradas justificáveis em nome da “Guerra às Drogas” e do objetivo de manter essa população sobre controle."

"Eu acho que essa lei serve muito para reforçar os órgãos de repressão e manter esse tipo de ordem que nós estamos vivendo hoje."

Na mesma entrevista MacRae ainda fala, do uso ritual da cannabis na religião/filosofia Rastafari, na Jamaica e do histórico do uso no Brasil. Sobre os movimentos de reforma no Brasil, como a Marcha da Maconha, diz:

"Por isso acredito que, nesse momento, nossa função seja o que eu chamo de “trabalho de formiguinhas”, que é o de sair por aí, nas nossas relações pessoais, de trabalho, familiares, de escola, tentando quebrar um pouco os preconceitos, realizando pesquisa, estudos, debatendo temas, organizando debates, Marchas da Maconha, etc, participando de várias maneiras na criação desse diálogo onde possam surgir idéias novas."

Leia a entrevista completa no Blog Observatório da Cannabis

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