A maconha e o crack são as drogas que têm atraído mais a atenção da mídia nos últimos meses. O debate sobre a legalização da primeira e a epidemia do uso da segunda, foram temas abordados por vários programas de TV e assunto de notícias em jornais de todo o Brasil.

Nesta semana a rede RBS do Rio Grande do Sul lançou a campanha "Crack Nem Pensar", promovendo um debate entre autoridades locais e nacionais e especialistas da área. Com este estranho e contraditório nome a campanha pretende reunir a sociedade em torno do tema, para PENSAR e propor soluções para "erradicar o uso de crack no Rio Grande do Sul e Santa Catarina". Uma das principais estratégias da campanha publicitária é "chocar"a sociedade para que "não tenhamos mais nenhum só usuário de crack no futuro".

A chamada epidemia de crack que já dobrou de tamanho no último ano, pode chegar a tetraplicar (existe esta palavra?!) nos próximos anos, segundo projeções da Secretaria Estadual da Saúde. O debate teve participação do Ministro da Justiça, Tarso Genro que afirmou que "não há como tornar o país imune ao tráfico internacional". No segmento sobre tratamento os doutores Flávio Pechansky (H. Clínicas UFRS) e Irma Rossa (CAPS-AD) deram suas opiniões sobre o tratamento da dependência do crack e divergiram no que diz respeito à alegada necessidade de mais leitos para tratamento (Assista o vídeo).

A conclusão da RBS sobre o debate foi de que "a melhor estratégia é a de prevenir" e que "o papel das famílias é destacadamente o mais crucial e decisivo". Veja detalhes da campanha no site.

Enquanto isso acontecia em terras Tupiniquins, em Londres, nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dava mais uma entrevista em nome da Comissão Drogas e Democracia, desta vez para o The Gardian. O interessante foi encontrar duas notícias sobre a mesma entrevista com abordagens tão diferentes.

Na matéria original do The Gardian o título é "Maconha e cocaína devem ser legalizadas, diz a comissão de drogas Latino-americana. Mesmo sem ter visto aonde FHC fala de legalização e ainda mais da cocaína, achei interessante os trechos da entrevista destacados. Ressalta o elogio do ex-presidente ao combate ao HIV no Brasil, através da educação e distribuição de camisinhas, mesmo num país católico (como se no Brasil não tivesse algo bem mais ousado - a troca de seringas). FHC concluiu dizendo ainda: "Não podemos ter mais drogas zero, como não podemos ter sexo zero, mas podemos ter uma política de sexo seguro", será este um apoio às políticas de redução de danos?!

No artigo, sobre a mesma entrevista, publicado no Brasil pelo O Globo, com o título: "Em Londres, Fernando Henrique defende descriminalização das drogas", as propostas de FHC nos parecem bem mais conservadoras. Destaque principal à proposta de "mudança de paradigma", que em outras palavras, quer dizer apenas que "os usuários deveriam ter acesso a tratamento e não à prisão".

Enfim, o importante é que este assunto está sendo mais amplamente debatido pelas autoridades e especialistas e mais divulgado para toda a sociedade através da mídia.

O nosso papel será sempre o de informar e tentar corrigir idéias inaceitáveis como a do chefe de Polícia do Estado do RS, João Paulo Martins, que afirmou que "a tolerância da legislação ao não prever mais a prisão do dependente acabaria estimulando o tráfico". Ainda bem que este foi o ponto que mais gerou controvérsia entre os debatedores do Painel RBS.


1 comments:

Anonymous said...

FHC, quando presidente, deu para trás na hora de discriminar o uso junto com Portugal.

Bem vejamos como ele segue em seu novo "papel".

Obs.: "tetraplicar" não existe, mas "quadruplicar", sim.;)

Post a Comment

Subscribe