O crack e a situação dos jovens moradores de rua no Rio.

O aumento da disponibilidade de crack e do consumo por jovens moradores de rua e como a Secretaria Municipal de Assistência Social está enfrentando o problema.

Reportagem de Felipe Sáles, Jornal do Brasil

(...) o secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, afirma que 80% dos dependentes que chegam aos abrigos são vítimas de crack.

Segundo o ISP, embora cocaína e maconha continuem sendo as drogas mais apreendidas, o crack foi a que teve maior crescimento de acordo com o último diagnóstico de apreensões feito pelo instituto. O índice passou de 3,3% do total de apreensões, no primeiro semestre de 2007, para 9% no mesmo período do ano passado. Só em 2008, segundo a Polícia Federal, 40% de toda a cocaína apreendida no estado era crack – um total de 250 quilos divididos em 50 mil pedras.

No Centro de Pesquisa e Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), os primeiros dependentes de crack começaram a aparecer em 2006. Atualmente, um em cada quatro pacientes com até 20 anos chega viciado em crack.

80% dos abrigados

Em tempos de choque de ordem e com uma estrutura ainda deficiente para atender tamanha demanda, o secretário de Assistência Social classifica a entrada do crack no Rio como uma tragédia. Segundo ele, há cerca de 400 crianças vivendo nas ruas da cidade, algumas viciadas em crack aos oito anos.

– A droga tira o apetite e causa dependência quase instantânea. Em vez de comer, eles se movem para conseguir mais droga. Ficam estirados no chão, como se estivessem em coma – relatou Fernando William. – Uma cena nova que estamos encontrando é o vício atingir não apenas moradores de rua, mas crianças das próprias comunidades, que vivem em meio à miséria e sem estrutura familiar. Jacarezinho, Manguinhos e Pavão-Pavãozinho concentram os principais casos.

Só o abrigo Ayrton Senna, no Maracanã, possui estrutura eficiente – assim mesmo, em caráter experimental – para recuperar as crianças. Dez menores estavam internados lá e metade conseguiu se recuperar, segundo William. O atendimento, porém, ainda é improvisado, já que o único psiquiatra da casa é, na verdade, coordenador do centro.

A secretaria tem mais cinco locais – as Casas Vivas – que também tentam recuperar dependentes. Os espaços, porém, permitem que os meninos saiam à noite, o que possibilita o retorno ao mundo das drogas. Ontem, a secretaria conseguiu R$ 19 milhões do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Parte da verba será usada na construção de nvas casas, mas com filosofia diferente. A secretaria, porém, ainda não conseguiu com a Secretaria Municipal de Saúde uma equipe médica de plantão nos centros de triagem, onde muitos dependentes têm crise de abstinência e depredam o local.

– A situação exige que o poder público amplie com urgência o atendimento – admite William.

Cinco vezes mais potente do que a cocaína, a mistura com outros produtos químicos produz efeito imediato e dura no máximo 30 minutos. Psiquiatra da Vila Serena, que trata de dependentes químicos, Euclides Masquio constatou um aumento de mais de 100% de viciados em crack no ano passado.

– O crack potencializa a compulsão, mas não necessariamente leva alguém a cometer crimes – diz.

Tráfico: o vício por trás de uma tragégia -JB Online 22:58 - 31/03/2009 -

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