Recebi infomação pelo grupo da Aborda, que aconteceu nos dias 26 e 27 de março em São Paulo, o Fórum Internacional sobre Crack. Segundo o relato, ocorreram muitas discussões interessantes, reessaltando o discurso proferido por Andrea Domanico que respondeu, a altura, à fala do general Uchôa (SENAD) que, em seu discurso, "infantilizou os usuários de drogas e ridicularizou os movimentos sociais pró-legalização". Segundo o relato, o general afirmou que esta não é uma meta possivel diante da politica mundial de drogas e que na platéia só se via cabecinhas balançando afirmativamente.

Esta foi a resposta que enviei ao grupo após ler o relato e alguns outros comentários, que se seguiram, sugerindo um posicionamento formal deste grupo.

De marisafelicissimo Para grupoAborda - 28/03/2009

Muito obrigada por enviar essas preciosas informações sobre o fórum, pois para pessoas como eu, que só podem acompanhar eventos aí no Brasil pela internet, esses relatos são preciosos, vou ficar aguardando mais detalhes.

Enquanto isso vamos discutir o assunto.

Tenho notado, desde a minha participação na última CND em Viena, que o pessoal da "repressão" está vindo com uma postura unificada e bem forte de tentar ridicularizar e tirar toda a razão dos grupos que lutam pela reforma na política de drogas.

Essa fala (imagino a que tenha sido) do general Felix é a corrente no meio, neste momento. Estão tentando colocar todos esses grupos internacionais como IHRA, DPA e muitos outros, como um bando de libertários financiados pelo milionário Soros, que não tem nenhum fundamento em suas falas, que estão só querendo tumultuar a ordem, querendo a legalização da maconha, só para poderem fumar em paz e ainda acabar lucrando um bocado com a abertura de cofeeshops pelo mundo. Imagino que isso esteja acontecendo porque nos EUA, esses grupos pró-reforma estão fazendo campanhas publicitárias e ações estratégicas muito interessantes como mandar para todos os subescreventes de seus sites cartas preparadas para exigir reformas específicas a secretários, deputados, senadores e até ao presidente (dependendo de quem esteja na vez de decidir alguma coisa) assim, as pessoas comuns (não precisa ser em nome de nenhuma organização) enviam cartas, fax, e-mails e até telefonam para esses membros do governo pedindo que votem a favor ou contra alguma coisa.
Também quando algo que não os agrada aparece na mídia, como recentemente a forma como Obama respondeu à pergunta de milhares sobre a legalização da maconha, escrevem para a CNN ou para vários blogs, indignados e defendendo com mil argumentos suas posições.

No Brasil acredito que esteja ocorrendo o mesmo: os problemas com as drogas não param, o governo não tem a menor idéia de como vai resolver a situação e vendo cada vez mais palavras pro-reforma ganhando força e exposição na mídia (várias noticias recentes sobre a CND, redução de danos não incluída, Evo Morales e até Fernando Henrique no meio e blog sobre drogas no Globo! ) os generais que, inacreditavelmente, ainda estão no comando (mesmo há mais de 20 anos do fim da ditadura) têm mesmo é que abraçar o discurso da ONU e do governo norte-americano.

O que não podemos deixar que aconteça é que essa mensagem fique gravada na cabeça das pessoas como a verdade absoluta e definitiva (com todas as cabecinhas concordando ao final) e sim quando alguém tem a coragem de defender as suas idéias de mudança, na frente de todos, no mesmo evento, com a mesma autoridade (como a Andrea Domanico neste fórum e Evo Morales e outros na CND), seja muito aplaudido por todos que concordam. Assim podemos mostrar que nossas cabeças não se movem no mesmo sentido e que não vamos nos calar. É importante que cada um de nós que possa participar de uma reunião científica ou governamental se posicione claramente e que esteja sempre preparado para dar os argumentos e referências necessários.

Assim, com atitudes claras, mesmo sendo individuais e isoladas podemos começar a mudar as coisas. Vamos agir!

Abs,
Marisa

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