Comentário "comportamento moralmente condenável" - Videoconferência debate a política de redução de danos em MG

Excelente, parabéns ao estado de Minas Gerais pela iniciativa e a forma como foi feita.
Pena que mesmo após 20 anos de redução de danos no Brasil ainda temos que ouvir do secretário adjunto de Estado de Saúde, (Antônio Jorge de Souza Marques), com formação em saúde mental e em saúde pública pela Fiocruz, que "Precisamos aprofundar a discussão e estabelecer o limite, que é tênue, entre o uso racional de uma substância como estratégia de redução de danos e a benevolência com um comportamento moralmente condenável". É lamentável - enquanto não modificarmos essa postura dos nossos gestores, não conseguiremos avançar muito na prática.
Marisa



Videoconferência debate a política de redução de danos

 
   
Ramon Jader/Ses MG

Com o objetivo de apresentar as origens, definições e práticas da Política de Redução de Danos (PRD) e fomentar discussões sobre o tema, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) e o Conselho Regional de Psicologia (CRP) de Minas Gerais promoveram nesta terça-feira (24), das 13h às 17h, em Belo Horizonte, a videoconferência "Redução de Danos como estratégia na abordagem do uso abusivo de álcool e outras drogas".

A videoconferência, que teve como público-alvo, psicólogos, trabalhadores do SUS/MG, organizações não-governamentais e sociedade civil, foi transmitida, simultaneamente, do auditório da avenida Afonso Pena, na Subsecretaria de Vigilância em Saúde, para as 27 Gerências Regionais de Saúde do Estado (GRS). 

A Associação Internacional de Redução de Danos (IHRA) define o termo como "políticas e programas que tentam principalmente reduzir, tanto para os usuários de drogas, quanto para suas famílias e comunidades, as conseqüências negativas relacionadas à saúde, aos aspectos sociais e econômicos decorrentes de substâncias que alteram o temperamento". De acordo com a coordenadora de Saúde Mental da SES, Marta Elizabeth de Souza, "a intenção da atividade foi apresentar como funciona a política de redução de danos, que ainda gera muitas controvérsias, e estimular uma discussão em nível estadual".

Desde 2005, por meio da portaria nº 1.028 de 4 de julho, o Ministério da Saúde adota a Política de Redução de Danos (PRD) como um instrumento  a ser seguido para estabelecer diretrizes que orientem a implantação das ações e, desta forma, subsidiar municípios e estados na manutenção ou implantação de ações voltadas para usuários de drogas.

Ampliar a discussão

De acordo com o secretário adjunto de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, é muito importante o Estado trazer este tema para a sociedade, embora a SES ainda não tenha uma política formal de PRD.  "Precisamos aprofundar a discussão e estabelecer o limite, que é tênue, entre o uso racional de uma substância como estratégia de redução de danos e a benevolência com um comportamento moralmente condenável", disse.

Marques também comentou, baseado em sua experiência como médico com residência em psiquiatria pelo Instituto Raul Soares e especialista em Gestão de Sistema de Saúde pela Fiocruz, que é preciso ampliar a discussão da PRD para outras áreas da saúde. "Se considerarmos que cerca de dois terços de nossa carga de doenças são de origem crônica, conseqüências de hábitos alimentares errados, a noção de redução de danos se expande. Não adianta dizer a uma pessoa, por exemplo, que ela não pode comer determinado alimento. O que precisamos entender é se alguém opta por um alimento prejudicial, ou por uma substância tóxica, é porque isto traz a ela algum tipo de satisfação". 

O presidente da Associação Brasileira de Redutores e Redutoras de Danos (Aborda), Dionísio Siqueira, disse, durante sua fala, que neste ano a PRD completa 20 anos. "Costumo comparar esta política a uma árvore, que no início era invisível como uma raiz e se concentrava em ações para evitar problemas causados por doenças como Aids e hepatites, por exemplo, mas agora nosso desafio será discutir não apenas os males, mas também os prazeres que surgem do consumo das drogas", explicou. 

A videoconferência foi aberta por um vídeo gravado com o secretário adjunto, Antonio Jorge. Contou com uma mesa de abertura, composta por representantes da SESMG, do Conselho Regional de Psicologia Minas Gerais e da Aborda. Houve, ainda, uma "Roda de Conversa", quando foi possível que o público presente no auditório e nas GRS fizessem perguntas aos convidados.

 
Título Videoconferência debate a política de redução de danos
Autor Secretaria de Estado de Governo Data 24/03/2009
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Fonte: Ramon Jader/Ses MG


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